terça-feira, 4 de abril de 2017

Decrescimento

"Decrescimento: leituras para a "Prisão Crescimento"

 Pequeno tratado do decrescimento sereno, de Serge Latouche, 2007, francês. [Trad: Claudia Berliner, 2009.]
 Democracia econômica: alternativas de gestão social, de Ladislau Dowbor, português, 2013.
 O decrescimento: entropia, ecologia, economia, de Nicholas Georgescu-Roegen, 1970-81, inglês. [Trad: Maria José Perillo Isaac, 2012.]
 A natureza como limite da economia: A contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen, de Andrei Cechin, 2010, português.
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O economista francês Serge Latouche se autoentitula um “objetor do crescimento” — como em outros tempos havia os “objetores de consciência”, que se recusavam a ir a guerra. O Pequeno tratado, que tem objetivo de ser “um compêndio do corpus das análises já disponíveis sobre decrescimento”, é a melhor porta de entrada ao assunto.


Ladislau Dowbor é um economista polonês radicado no Brasil e professor da PUC-SP. Democracia econômica, também muito acessível às pessoas leitoras leigas, tem como objetivo fazer uma “revisão da literatura econômica internacional” sobre a construção de um novo tipo de economia, uma certa “democracia econômica” mais afinada às problemáticas e necessidades atuais.


Já o falecido economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994) foi um dos precursores do decrescimento, em uma época que esse tema ainda era anátema dentro da economia. Basicamente, ele diz que, como o universo tende à entropia, cada joule de energia, cada quilo de alumínio, que gastamos hoje é um pequeno roubo dos nossos descendentes. Ou seja, ele defende o decrescimento, entre outras coisas, para que a matéria-prima do planeta não acabe tão rápido.


A prosa de Georgescu-Roegen pode ser um pouco densa para pessoas leigas, e a Editora do Senac tem feito um excelente trabalho de popularização de suas idéias: Decrescimento é uma seleção de quatro de seus principais e mais acessíveis artigos, oferecendo um bom ponto de entrada para sua obra; e Natureza, escrito por um professor brasileiro, é uma tentativa de apresentar suas ideias de maneira resumida, explicada e ainda mais acessível."

(retirado de postagem de Alex Castro em seu "Leituras comentadas")

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LOGAN

"Eu machuco pessoas" - murmura Wolverine.
"Eu também machuco" - retruca Laura - "mas elas são más".
"Isso não muda nada" - lamenta Wolverine
Eu sei que o filme é só uma mentirinha de muita ação, porrada, e sangue.
Mas essa cena poderia dar um "pause" no filme, pra gente pensar nela por uns minutos, né...

terça-feira, 21 de março de 2017

O sistema tem suas raízes em cada um de nós

"Uma sociedade verdadeiramente humana será uma sociedade onde não haverá miséria, ignorância e abandono - uma vergonha do passado, então inconcebível. Qualquer um que apresente qualquer argumento explicando a inviabilidade de uma sociedade assim, apenas me provoca um riso amargo. Não há produção suficiente de alimentos? Não existem conhecimentos, logística, condições de eliminar estas excrescências da face da terra? Ora, é claro que existem. 
O que acontece é que a acumulação, a concentração de riquezas, propriedades e privilégios precisa roubar direitos, mantendo populações em condições de barbárie, precisa de ignorância, desinformação, miséria e abandono pra seguir explorando populações e saqueando riquezas, moendo gente, destruindo potenciais e vidas, sujando e envenenando, tanto o planeta quanto as almas, as mentalidades, os comportamentos. Devemos a isso o estado de degradação social em que vivemos. 
Querer vencer na vida é sustentar isso. Competir é manter o modo de relacionamento social. Acreditar nas informações e "opiniões" dos veículos de comunicação é envenenar a mente e receber uma visão de mundo completamente distorcida. Querer o que é induzido pelo massacre publicitário em suas sutilezas sedutoras é o alimento do sistema social. Não ligar a violência e a criminalidade ao desequilíbrio social absurdo, à miséria, à pobreza e aos valores distorcidos pela publicidade e pela propaganda ideológica subliminar da mídia, acreditando que repressão e encarceramento são algum tipo de solução - ou mesmo contenção - pra situação de terror cotidiano, pros níveis de criminalidade, é ter a mente lavada, enxaguada, teleguiada, entorpecida e estupidificada. 
Pretender mudar um sistema que estimula a competição, o confronto e a disputa, confrontando, disputando e competindo - ainda mais dentro das instituições, infiltradas e dominadas pelos poderes econômicos - é de uma ingenuidade mais que inútil e incapaz. Acaba sendo a "prova" apontada pelos defensores deste sistema social criminoso de que a farsa política é realmente uma "democracia", alegando que não se poderia falar assim se não fosse uma democracia. Alegação mentirosa, obviamente. Pode-se falar como esses pretensos revolucionários falam porque eles não tem nenhum poder de mobilização popular, em seus condicionamentos de superioridade social, em seu doutrinarismo estéril, em sua arrogância e pretensão de liderar, organizar e conduzir as massas. Pensam que estão lutando por uma sociedade igualitária, mas estão é colaborando com essa estrutura desumana, ajudando a construir o cenário do teatro macabro. Se alcançassem humildade, perceberiam. Eu percebo que há muitos se tocando. O processo tem seu ritmo. 
Em cada um de nós há raízes dos condicionamentos sociais produzidos em laboratórios de pensamento bem pagos, contratados por um punhado de parasitas sociais podres de ricos - que não participam do caos que provocam, cercados em suas fortalezas com muros eletrificados e exércitos bem armados de seguranças privadas. Estamos expostos a isso desde o útero materno e ingenuidade é pensar que nossa vontade é toda nossa, como nossa visão de mundo, opiniões, sentimentos, desejos,... esta percepção, a meu ver, é a primeira de todas. E o trabalho interno, o mais importante. A coletividade é formada por todos e cada um. Trabalhando em si mesmo, o trabalho se estende automaticamente ao coletivo, sem pretensões de ensinar, liderar ou conduzir."

Eduardo Marinho - "Observar e Absorver" - 19 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Coerência e Incoerência - por Feizi Milani

(in) COERÊNCIA entre discurso e ação Há poucos dias escrevi sobre a importância das conversações que mantemos cotidianamente - o quanto elas direcionam nosso pensamento, afetam nosso estado emocional e influenciam os ambientes. Fiz um apelo a que busquemos elevar o teor de nossas conversas, dotando-as de significado e relevância, tornando-as um elemento do processo de busca de melhorias na família, comunidade e sociedade em geral. O que falamos é uma das marcas que deixamos no mundo. Nosso discurso é uma das ações que concretizamos. Diante dessa colocação feita por mim, uma amiga querida lançou uma excelente provocação: “E se o que falamos não é coerente com o que fazemos?”. Ao refletir sobre a pergunta, me dei conta que essa INCOERÊNCIA entre o que se diz e o que se faz pode ser analisada por (pelo menos) dois prismas - de acordo com o estágio da evolução humana em que o indivíduo se encontra, e de acordo com o “lócus” em que a incoerência é identificada. Tentarei elaborar um pouco sobre essas duas categorias e seus subtipos. (1) INCOERÊNCIA de acordo com os ESTÁGIOS EVOLUTIVOS DO INDIVÍDUO: (1.1) É um tipo de incoerência que faz parte do processo de amadurecimento. Em geral, a mudança ocorre primeiro em nível de pensamento, depois da fala e, por fim, na conduta. É muito fácil observar isso em crianças. Essa incoerência revela que ainda não se alcançou a maturidade necessária para integrar e alinhar pensamento-fala-ação em um todo coerente. Mas o indivíduo tem a intenção sincera de evoluir e aprender a colocar em prática aquilo que já sabe ser o correto e necessário. (1.2) Por outro lado, a incoerência pode ser uma manifestação de falsidade e hipocrisia - quando o indivíduo não tem a sincera intenção e o esforço consciente de mudar, mas faz questão de "pregar" aos outros que eles devem fazer X ou não fazer Y. O indivíduo se acomodou no erro e insiste que os outros façam certo ou exibe seu discurso como prova de sua idoneidade. (2) INCOERÊNCIA de acordo com o lócus em que é identificada: (2.1) Em si mesmo: Quando eu percebo que meu discurso e meu comportamento não são coerentes, tenho diante de mim uma grande oportunidade de transformação. Se eu me olhar no espelho da Verdade, sem máscaras, serei capaz de aceitar que essa incoerência precisa ser superada. Para isso, tenho que evitar dois grandes perigos: (a) justificar meu erro com estratégias de autoengano ("faço porque todo mundo faz", "é errado, mas tem coisa muito pior por aí", "os fins justificam os meios", "não sou santo", "eu já me esforço em tantas outras coisas" etc.); (b) cair na culpa e autocondenação, porque a culpa nos imobiliza, paralisia e leva à repetição do erro. Evitando essas duas armadilhas do ego, e exercitando a veracidade e autenticidade, eu conseguirei evoluir em direção à coerência. Mesmo que haja tropeços no caminho, buscarei perseverar em meu propósito. (2.2) No outro: Quando identifico a INCOERÊNCIA NO OUTRO - e isso é bem mais fácil de que percebê-la em si mesmo - eu me vejo diante de um dilema: quais são as intenções do outro? Em que estágio evolutivo ele se encontra? Será que ele tem consciência de sua incoerência ou sequer se deu conta? Será que ele tem tentado mudar ou está acomodado? Será que há sinceridade em seu discurso ou é hipocrisia? É um dilema porque não tenho como responder essas perguntas, não há como enxergar o que está no coração do outro. O comportamento de alguém é visível, identificável, mas as intenções são invisíveis. O perigo, nesse tipo de situação, é cair no julgamento. Mesmo sem saber o que vai dentro do outro, eu me coloco na posição de juiz e decido que ele é falso. Aí estou invadindo um campo que não é de minha alçada. Mas... se essa pessoa é alguém que eu amo, desfruto de proximidade e tenho condições de conversar amorosa e construtivamente, então eu posso dialogar com ela, fazer perguntas que a ajudem a identificar a incoerência, compartilhando meus próprios desafios de crescimento - tudo isso com a mais sincera motivação de ajudá-la a crescer e se tornar uma pessoa melhor! Por fim, é preciso salientar uma EXCEÇÃO a tudo isso. Todas as reflexões acima dizem respeito àquilo que não transgride a lei, não fere os outros, não transpõe os limites da Justiça e do bem-estar coletivo, não gera sofrimento. Ou seja, se a incoerência entre discurso e ação se refere, por exemplo, à corrupção... então, estamos falando de crime! E aí, o que vale é a conduta, não as intenções. Tampouco importa em que estágio de amadurecimento o indivíduo se encontra. Crime é crime, precisa ser julgado nas instâncias apropriadas e receber a pena apropriada. Portanto, cada um de nós precisa focar sua atenção em identificar suas próprias incoerências (sempre existirão!) e seus esforços em se tornar uno, ou seja, um só, inteiro, íntegro, um em pensamentos, fala e ações. Coerência é a meta! FEIZI MASROUR MILANI·SEXTA, 16 DE DEZEMBRO DE 2016

Minha Mensagem de Natal

"Outro dia o filho que não tenho, e que já é grandinho o bastante para fazer esse tipo de pergunta, perguntou-me, olhando para o mundo, se existe esperança.
Era época de Natal e ele queria que minha resposta o enchesse de inspiração e de bons sentimentos; uma resposta que o capacitasse a abraçar o futuro com olhos brilhantes e pés otimistas. Queria, em outras palavras, uma mensagem.
Esta, meu filho, é uma resposta que palavras não podem dar - menti o menos que pude, e invoquei não sei de onde um sorriso.
Quando ele for mais velho direi que não, que não há qualquer esperança. Andaremos lado a lado por um caminho no meio da tarde e confessarei que não enxergo esperança no mundo, nas religiões e instituições e, ainda menos, em mim mesmo. Direi que as belas mensagens otimistas que os homens trocam em ocasiões solenes são distrações que não chegam nem de perto a alterar a dura malha da realidade. As pessoas não se tornarão mais generosas, menos mesquinhas e mais iluminadas, porque vivi quarenta anos e a cada dia me distancio mais, eu mesmo, desse ideal ilusório.
Ele me olhará nos olhos e, sem dizer nada, abrirá um meio sorriso, porque verá que, embora não exista esperança, embora eu esteja convicto de que não há, cultivo ainda assim alguma.
Se tudo der certo, com o passar dos anos ele aprenderá a guardar a esperança como eu: como quem tem vergonha de permanecer criança e continuar olhando com fascinação para a chama de uma vela que qualquer um pode apagar."
(Paulo Brabo, AQUI)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Vida Provisória


Em meio às "lágrimas de cristo" floresce a Epiphyllum Oxypetallum, a flor de um cactus, conhecida como Dama da Noite.

São 23hs. Amanhã, ao amanhecer o dia, ela já estará murcha, sem vida.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mistério!!!

Até setembro passado, este blogue recebia, em média, mil visitas por mês. Eu achava razoável, visto que nunca foi minha intenção ser um blogger profissional, com 50, cem mil visitas/mês.
Subitamente, em outubro e novembro, as visitas subiram para mais de 5 mil em um só mês!!!!
O que será que aconteceu?!?!?! Terei me tornado celebridade e nem percebi???
Acho que há uma explicação lógica para o fato, mas... deixa prá lá!!!
Esse mistério é mais interessante que a explicação, com certeza!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Ingenuidade?

"Melinda Gates comanda a maior fundação de filantropia do planeta e faz a cabeça de bilionários como Mark Zuckerberg, Warren Buffet e Larry Ellison para doarem suas fortunas a causas humanitárias. Ela conta à DINHEIRO como, ao lado do marido Bill Gates, está ajudando a forjar um novo modelo de capitalismo que já salvou a vida de 5 milhões de crianças." (revista "Isto é Dinheiro", capa, out/16)
Não sei se a ingenuidade é minha ou dela, ou da revista, mas achar que existe um modelo de capitalismo que salve vidas (em lugar do atual, que mata), e que as milhões de crianças salvas o foram pelo capitalismo (sem perceber que foi o capitalismo que as condenou, em primeiro lugar) é um exagero... Né não?